quarta-feira, 29 de junho de 2011

Jesus, uma mulher e o machismo dos discípulos

Nossa, Jesus falando com uma mulher, e a sós? Ainda por cima samaritana? Que coisa incomum... Não duvido que um dos discípulos tenha pensado dessa forma, ou pelo menos coisa parecida. Caso contrário, por que se admiraram quando o viram com ela?

Nessa história toda, percebo um pouco de machismo (e chauvinismo, que é um nacionalismo tão exagerado que chega a ser preconceituoso) por parte deles, o que era muito comum àquela época, aliás, o pré-conceito e a segregação existem desde sempre, infelizmente. Mas o curioso, é que enquanto outros mestres consideravam o ensino a mulheres perda de tempo (os homens sempre foram mais valorizados na cultura judaica), para Jesus, não fazia diferença se era samaritana, muito menos se era mulher, mas sim que ali diante dele estava uma pessoa tão preciosa quanto os homens que o seguiam.

Ao contrário dos moralistas, Cristo não ficou escandalizado com a condição da samaritana, pois, mesmo sabendo que ela não era daquelas mulheres certinhas que pertencem a um só homem, que tinha o “currículo extenso” e que o cara do momento não era seu marido, Jesus não pensou em como ela era pecadora e também não se preocupou com o que os outros poderiam dizer se o vissem com uma possível destruidora de lares. Antes, se colocou como solução, amando-a ao ponto de oferecer-lhe a água que poderia saciar de vez sua sede, que era puramente de natureza espiritual e existencial.

Quebrar estereótipos era uma prática constante de Jesus. Sua intenção era mostrar que pessoas são mais importantes do que uma regra, um padrão de comportamento ou movimentos ideológicos. Deus não está com o machismo, o feminismo, o chauvinismo e qualquer outro “ismo” praticado pelos seres humanos. É de um amor maior que todos precisam... A anônima de samaria topou com Ele no poço, ao meio-dia...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Desmascarar-se não é uma derrota



A figueira tinha boa aparência, mas se limitava a isso. Não possuía frutos, portanto, irrelevante de certa forma, pelo menos para alguém que quisesse saciar sua fome. O episódio da figueira pode nos ensinar muitas coisas como, por exemplo, o poder da fé confiante em Deus, mas em mim, ficou a impressão de haver algo mais nessa coisa toda de “figueira bonita, porém, vazia”.

Talvez ali esteja presente aquela velha história de que beleza não põe mesa. E realmente é assim, no entanto, a maioria das pessoas parece nutrir certa admiração pelas aparências. Mesmo aquele que rejeita ideias e padrões impostos, e opta por viver conforme seus próprios conceitos, vez ou outra se surpreende com a possibilidade de ser superficial com os outros e consigo mesmo.

Ora, que graça tem viver apenas de aparências? Não seria o mesmo que viver de forma reprimida?Todos os dias ao nosso redor pessoas escolhem sufocar o desejo de ser o que são em essência, às vezes por pura vontade de se enquadrar a determinado ambiente/grupo. Por algum tempo vivi assim, e não sei se já aconteceu com todo mundo, mas acho extremamente cansativo. Além de não haver plena satisfação, os relacionamentos não possuem qualquer profundidade, pois não há uma “verdade inteira”, ou seja, um dos lados está mascarado, portanto, nesse sentido, não existe muita sinceridade por parte de quem se limita a ser o que os outros querem/esperam.

Só se sente completo quem é livre para exercer sua pessoalidade sem medo de uma possível rejeição por parte dos outros. Ser outro alguém é uma espécie de prisão! E nela há impossibilidade de ser importante para alguém, e é aí que entra a historinha da figueira. Todos nós de alguma forma temos a capacidade de produzir “frutos bons”, e através deles, nos tornamos relevantes na vida de alguém ao ponto de “saciar sua fome”. Quantas coisas boas podemos fazer a alguém pelo simples fato de existirmos em suas vidas... Mas se há algum tipo de maquiagem, e se existem apenas “folhas”, como alguém poderá ser afetado de forma positiva com a nossa presença? Como dar fruto se não existe raiz em si mesmo? É possível sendo “outra pessoa”, dar o melhor de si para os outros?

Uma das grandes propostas de Jesus foi a liberdade de sermos nós mesmos. Podemos observar isso quando por várias vezes a hipocrisia religiosa foi criticada por Ele. Além disso, sempre me pareceu bastante interessante a forma como as pessoas tidas como pecadoras e pouco dignas se portavam perante a presença Dele. Nunca as vi pouco a vontade, ao contrário, volta e meia, Jesus estava sendo convidado para um banquete, talvez por isso a fama de comilão, beberrão e amigo de pecadores...

Jesus seguia seu caminho sendo profundo, inteiro e verdadeiro. Verdadeiro com os outros e sobre tudo com Ele mesmo. Cristo entendia que essa é a vontade do Pai para todos nós, e a deixou como modelo. Optar por desmascarar-se é uma grande virtude. Mesmo que a verdadeira face não seja das mais “bonitas”, o que vale é a vontade de ser de verdade.


12 No dia seguinte, depois de saírem de Betânia teve fome,

13 e avistando de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa; e chegando a ela, nada achou senão folhas, porque não era tempo de figos.

14 E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E seus discípulos ouviram isso.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Caracteres de amor, solidão e outras impressões



por
Juliana Dacoregio


É fato que nosso mundo é carente. Temos milhares de canais para estarmos ligados full time aos amigos e ainda criarmos novas amizades, encontrarmos pessoas com interesses em comum e criarmos vínculos com elas.

Mas, por tanta possibilidade de comunicação, a solidão pode doer mais. Afinal, está tudo ali. Quem quiser falar conosco não vai deixar de fazê-lo por falta de oportunidade: direct messages no twitter, mensagens no celular, facebook, menções nas 459 mil redes sociais que participamos, um comentário naquela foto, no blog, isso sem falar nos quase defasados e-mails.

E, de repente, naquela manhã solitária você decide conferir esses inúmeros canais e… nada. Nada. Nem mesmo respostas àquilo que você enviou em busca de um contato, de um carinho, de um calor que chega através de palavras digitadas rapidamente. Você pode até não ter pedido com todas as letras: “me abrace, estou só”, mas quantas vezes não pedimos isso indiretamente? Quantas piadas no twitter não são feitas em busca de companhia, quantos temas polêmicos não são levantados apenas para obter respostas e ter a sensação de não estar só? Quantos milhões de blogs não possuem milhões de textos como este que, apesar da reflexão pseudo-antropológica, são nada mais, nada menos que gritos de socorro?

Não que eu tenha exatamente do que reclamar. Tenho lá meus muitos seguidores, sou mencionada todos os dias, possuo leitores fiéis aqui e nos outros blogs. Sou grata mesmo a web pelas pessoas que encontrei, que se tornaram grandes amigos, pela oportunidade de dar vazão aos meus sentimentos-bobeiras-desejos, pelos trabalhos que já consegui através de contatos via redes sociais, pelo emprego que tenho hoje e tanta coisa que se eu for enumerar daria uma lista bem longa.

Mas às vezes em meio a esse mar de conexões você não se sente como se estivesse em uma festa ruidosa, com muito barulho, gargalhadas, amizades eternas que duram poucas horas? Aí depois de muito twittar, muito blogar, muito gritar na websfera você volta pra “casa” sozinho. Ansiando por mais 140 caracteres de amor.

Fonte: Paperback Writer Girl

terça-feira, 14 de junho de 2011

A transformação do ser

Uma das coisas que mais gostamos é de comodismo. É própria de todos nós, a vontade de estar sempre numa posição confortável, pois odiamos as dificuldades. Priorizar nosso bem estar sobre todos e tudo, parece ser um instinto natural do ser humano, e na maioria das vezes, o egoísmo é o sentimento que motiva. Todavia, na contramão do sistema, está o evangelho de Jesus, propondo um novo estilo de vida baseado nos padrões do reino.

Também faz parte de nossa natureza, viver de maneira individualista e egocêntrica. E não sei se sou a única por aqui que pensa assim, mas acho que isso só tem nos trazido problemas... Sem contar a falta de amor que também é a origem de todos os males. Mesmo com todas essas constatações, a inclinação para a mudança não é comum; a maioria de nós se conforma a viver segundo os próprios impulsos e desejos que em essência são maus. Parece um tipo de pessimismo, mas uma rápida análise da História ou até mesmo uma análise íntima nos revelará quem realmente somos. Quem quiser trilhar o caminho inverso, tem uma longa e difícil caminhada pela frente; O caminho é apertado, mas ao mesmo tempo revela vida.

Mudar hábitos ou idéias, nem sempre é fácil, mas se faz necessário. Não se pode por “remendo novo em veste velha”. A mentalidade e os atos antigos são incompatíveis com a nova vida nos moldes do reino de Deus, por isso é preciso rejeitar comportamentos antes tidos como normais e adotar uma nova conduta diante de Deus, dos homens e de si próprio. Acomodar-se com os padrões correntes baseando a própria vida em um sistema totalmente carnal e diabólico, é ser conivente com ele. O chamado de Deus em Rm 12: 2 é à transformação do ser através do novo entendimento concedido por Jesus Cristo. No reino, a revolução começa dentro de si mesmo.

O inconformismo com as ideologias, comportamentos e padrões que nos é imposto não é suficiente se nos limitamos à teoria. Tem de haver transformação em nós e no mundo ao redor, e só poderemos mudar alguma coisa ou pelo menos ser relevante de alguma forma, se usarmos o amor para revolucionar o meio em que vivemos. Mahatma Gandhi disse e eu concordo: "O amor é a força mais sutil do mundo". Uma pessoa que se diz seguidora de Cristo e não consegue praticar o perdão e o amor, precisa urgentemente se perguntar se entendeu o evangelho.

Os seguidores de Jesus têm de literalmente segui-lo imitando-o em toda sua forma de ser. Pois, Ele mesmo amou a todos, serviu demonstrando humildade, respeitou quem não o aceitou mesmo quando seus discípulos disseram: “taca fogo aqui”, perdoou a ignorância das pessoas quando não sabiam e/ou não entendiam o que faziam e seguiu honrando o Pai vivendo para cumprir Sua vontade. Portanto, o que Deus nos diz é: Não se conforme com a antiga mentalidade que vez ou outra tenta retornar ao lugar, não se conforme com os rumos tortuosos que o mundo tem tomado. Antes, revolucione!


“E não vos conformeis com este século, mas transformais-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” RM 12:2


Texto meu pro GAE_missões urbanas