quinta-feira, 14 de julho de 2011

Rico




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Quanto dinheiro você tem aí no bolso? Na sua carteira ou na sua bolsa? Quanto você tem aí nesse instante? Mais ou menos 1 bilhão de pessoas no mundo sobrevivem com menos de 1 dólar por dia. Especialistas dizem que para fornecer água, saneamento, saúde e comida para todos no mundo, o custo estimado é cerca de 20 bilhões de dólares, que é a quantia que os americanos gastam em um ano com sorvete. Somos tão ricos.

Talvez você tenha essa sensação: você olha ao redor e pensa que não tem isso tudo porque vê pessoas que tem muito mais, mas, é algo muito perigoso quando começamos a pensar que o nosso mundinho é o mundo. Somos bombardeados com todas essas imagens dos modelos mais recentes e dos últimos estilos, e de repente nossas coisas começam a parecer medianas, desatualizadas e insuficientes. Mas para o resto do mundo, a nossa vida é o comercial, nossas coisas são o catálogo, somos a foto do anúncio; o que é insuficiente para nós, para o resto do mundo seria muito mais que suficiente.

Então o verso em I Timóteo diz: "Mande os ricos não colocarem suas esperanças nas riquezas", e não para por aí, continua: e diz: "Ponham suas esperanças em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos". Essa frase: "O Deus que abundantemente nos dá todas as coisas". Tudo que temos é uma dádiva. Comida? É uma dádiva; Roupas? Dádiva; Teto? Dádiva; O fôlego que acabou de tomar é uma dádiva, e há alguns que dizem:"Não, não, você não está entendendo, eu trabalhei duro pelo que tenho. Eu mereço. É meu" Mas como diz no livro de Deuteronômio, capítulo 8: "E digas no teu coração: 'A minha força, e a fortaleza da minha mão, me adquiriram estas riquezas'. Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, porque é Deus que te dá força para adquirires riqueza".

Não há nada de errado com as riquezas e posses em si, afinal Deus não condena ninguém por apenas ter posses, são dádivas de Deus, mas é que Deus nos criou para muito mais que apenas desfrutar de nossos bens. Deus dá por uma razão, então naquele versículo a ordem começa para os ricos e diz: "Não ponham suas esperanças nas riquezas, mas em Deus". E continua o mandamento dizendo:"que pratiquem o bem, enriqueçam em boas obras generosos em dar e prontos a repartir".

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Que você possa ver que é rico e que suas posses são luxos que a maioria das pessoas no mundo não tem. E que você faça o que Jesus prega. Que você assuma sua responsabilidade divina de dar. E que você alcance a vida verdadeira.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Boçalidade humana: O caso Restart e a piada do estupro


Outro dia ao entrar no twitter para a minha surpresa e desgosto, nos TTs estava a tag #pelanzadeuoc*. Tem como ser mais escroto? Tem. Na verdade, a tag estava sendo tuitada pelos gringos, que achavam que estavam participando de uma campanha de mobilização por criancinhas brasileiras que sofrem com câncer. Como isso aconteceu, ou de quem foi essa ideia “genial” eu não sei, mas sei que achei ridículo e desrespeitoso com a pessoa do Pe Lanza.

Pô, não é porque a música do cara é uma porcaria (segundo que conceito?), que eu vou sair esculachando ele por ae. Não quero aqui dar lição de moral em ninguém por que não sou dona da moral nem responsável por promovê-la, mas pra mim é impressionante como algumas pessoas conseguem ser tão boçais e desumanas. Sim, desumanas! Foi só uma piadinha para alguns, mas alguém já se perguntou o que o garoto restart sentiu ao ver que estava nos trending topics da maneira como estava? Talvez ele não tenha nem ligado, pois, mesmo que muita gente não goste de sua música, ele tem fama e dinheiro (no momento), enquanto muitos dos que estavam zoando com a tag não passam de anônimos invejosos, muitas vezes. Se ele nem se abalou ou se ficou chocado e triste eu não sei, mas fiquei imaginando como ele se sentiu... E, me perguntava como alguém por simples vontade de zoar e brincar, fala qualquer merda sem ao menos se preocupar se algum dano será gerado em quem é zoado.

Esta semana (ou semana passado, sei lá) Rafinha Bastos foi alvo de críticas por ter feito seu trabalho (como ele mesmo disse) divertindo as pessoas com piadinhas bobas e inocentes (?) sobre estupro. Se é errado o que ele fez ou se é uma tempestade num copo d’agua o que estão fazendo, não é a questão pra mim, e sim o respeito. Estamos nos tornando especialistas em banalizar coisas que deveriam ter certa importância. Será que vale mesmo a pena rir a qualquer custo? Mesmo ferindo o outro?

O mais engraçado de tudo isso, é que fazemos o mesmo que criticamos, só não há a mesma proporção e "barulho". Então por que ficamos tão indignados com o caso do Rafinha? Por que fiquei meio que revoltada com a tag do Pe Lanza se rio pacas quando alguém imita um homossexual ou faz piada de gordo ou sobre negro? Na teoria, somos todos contra o preconceito, o racismo e coisas do tipo, mas na prática isso não se evidencia. “Mas é só piada” minha mente diz, mas e se a piada fosse eu, seria engraçada ainda? Não estou dizendo que temos de ser como robôs e achar graça das coisas politicamente corretas apenas, só estou questionando o meio usado para um fim determinado: a risada a qualquer custo.

Lembro-me sempre do mandamento que nos foi deixado por um cara muito mais inteligente que nós falhos humanos: Ame o próximo como a si mesmo. Por mais que o amor seja uma tarefa difícil, pelo menos o respeito ao outro é nosso dever exercitar, pois, vivemos em sociedade, e necessitamos ter um boa convivência, para assim quem sabe chegarmos a um estágio mais evoluído, a nível intelectual.

Há tempo para tudo diz a escritura. Existem momentos que a piada se faz necessária, a vida já é tão difícil às vezes, que levá-la excessivamente a sério pode causar algum mal a saúde, no entanto, mesmo nos momentos de descontração é preciso ter limites e consciência, se não a piada fica sem graça e de mal gosto.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O teste da caneta e o motorista gay




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Quando duas pessoas públicas, com responsabilidade e ressonância de pessoas públicas, dizem o que Dom Bergonzini e a deputada Myrian Rios disseram, é preciso prestar atenção. Não é banal, não é folclórico. É sério – e tem consequências.


Primeiro, Dom Bergonzini – que, em seu blog, aparece várias vezes com o título de “o leão de Guarulhos”. Em entrevista à repórter Cristiane Agostine, do jornal Valor Econômico, publicada em 13 de junho, o bispo afirmou que há “uma ditadura gay” em curso e que uma “conspiração da Unesco transformará metade do mundo em homossexuais”. Esta forma de ver a conjuntura internacional poderia, por si só, chocar boa parte dos leitores, mas o bispo se supera no trecho da reportagem que reproduzo aqui:


“Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima… É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil”, comenta. O bispo ajeita os cabelos e o crucifixo. “Já vi muitos casos que não posso citar aqui. Tenho 52 anos de padre… Há os casos em que não é bem violência… [A mulher diz] ‘Não queria, não queria, mas aconteceu…’", diz. “Então sabe o que eu fazia?” Nesse momento, o bispo pega a tampa da caneta da repórter e mostra como conversava com mulheres. “Eu falava: bota aqui”, pedindo, em seguida, para a repórter encaixar o cilindro da caneta no orifício da tampa. O bispo começa a mexer a mão, evitando o encaixe. “Entendeu, né? Tem casos assim, do ‘ah, não queria, não queria, mas acabei deixando’”. (...) O bispo continua o raciocínio. “A mulher fala ao médico que foi violentada. Às vezes nem está grávida. Sem exame prévio, sem constatação de estupro, o aborto é liberado”, declara, ajeitando o cabelo e o crucifixo.


Sim, no teste do bispo, a vagina da mulher é uma tampa e a caneta é o pênis do estuprador. Se a mulher não quer ser violentada, basta que ela não permita que a tampa encaixe na caneta. Simples assim. É com esta humanidade que Dom Bergonzini escuta, há 52 anos, como ele faz questão de enfatizar, as católicas violadas que buscam acolhida e compaixão na sua igreja. E então passam por uma acareação através do método da tampa-vagina e da caneta-pênis.


Agora, Myrian Rios. Aliás, só descobri nesse episódio que hoje ela é deputada estadual. Até então, só a conhecia como ex-atriz e ex-mulher do cantor Roberto Carlos. A deputada do PDT apresentou-se como “missionária católica” e discursou no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 21 de junho, sobre a PEC-23, que inclui a orientação sexual entre as características pelas quais um cidadão não poder ser discriminado. Reproduzo um trecho do seu discurso aqui, mas sugiro que o leitor ouça da própria deputada, na íntegra, em vídeo de menos de 12 minutos, postado no YouTube.


O vídeo é todo coberto por textos em amarelo, num discurso sobreposto em defesa da deputada. Pede apoio a ela e faz, inclusive, um alerta: “Cuidado com a imprensa e a mídia”. Sugiro escutar Myrian Rios, sem prestar atenção ao texto. E, em seguida, assistir ao vídeo novamente, só lendo os textos em amarelo. Ambos – o discurso e a defesa do discurso – são muito reveladores. Para alguns, pode parecer uma perda de tempo, mas vale a pena o esforço para compreender o mundo onde estamos metidos.


A seguir, uma amostra da fala de Myrian Rios no plenário da Alerj:

“Eu não sou preconceituosa e não discrimino. Eu prego o amor e o respeito ao próximo. (...) Se somos todos iguais, com os mesmos direitos, eu também tenho que ter o direito de não querer um funcionário homossexual na minha empresa. (...) Digamos que eu tenha duas meninas em casa, que eu seja mãe de duas meninas, e eu contrate uma babá. E esta babá mostre que a orientação sexual dela é ser lésbica. (...) Se minha orientação sexual não for esta, for contrária, e querer demiti-la, eu não posso. (...) O direito que a babá tem de mostrar que a orientação sexual dela é lésbica eu tenho como mãe na minha casa de não querer que ela seja babá das minhas filhas, dá licença? (...) Com esta PEC, eu não tenho esse direito. Eu vou ter de manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas, e sabe Deus se ela não vai inclusive cometer a pedofilia com elas.


(...) Então, se o rapaz escolheu ser homossexual, o problema é dele. (...) Ele escolheu ser homossexual, ser travesti, aí eu o contrato para ser motorista da minha casa e eu tenho dois meninos em casa. Ele começa então a trabalhar vestido de mulher, travestido, porque é essa a orientação sexual dele. Aí eu, como mãe dois meninos, digo opa, não é essa a minha orientação sexual aqui em casa. Aqui em casa eu gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. Deus criou o homem e a mulher para perpetuar a espécie. (...) No momento em que eu descobri que o motorista é homossexual e poderia estar, de uma maneira ou de outra, tentando bolinar o meu filho... não sei, pode de repente partir para uma pedofilia com os meninos, eu não vou poder demiti-lo, a PEC não me permite. (...) Se essa PEC passa, e o rapaz tem uma orientação sexual pedófilo (sic), se a orientação sexual do rapaz é transar, é ter relacionamento sexual com um menino de 3 a 4 anos, nós não vamos poder fazer nada, porque ele está protegido pela lei.


(...) Eu estou defendendo as crianças e os jovens de uma porta para a pedofilia. (...) Não vou permitir que, por uma desculpa de querer proteger ou para que se acabe com a violência, a homofobia, a gente abra uma porta para a pedofilia! (...) Deus abençoe a todos, tenham uma boa tarde, que o Espírito Santo possa hoje, nesta Assembleia, cair fogo do céu aqui. Muito obrigada.”

É constrangedor fazer alguns esclarecimentos pela sua obviedade. Mas já que discursos desse nível existem – e são feitos por representantes democraticamente eleitos – é preciso dizer à deputada que: 1) homossexualismo e pedofilia não são a mesma coisa; 2) pedofilia não é uma orientação sexual, mas um crime; 3) se um funcionário da sua casa ou da sua empresa ou qualquer pessoa, em qualquer lugar, tenha a orientação sexual que tiver, cometer o crime de pedofilia, deverá ser denunciado e preso, independentemente da PEC-23, porque está previsto no Código Penal.


Se Myrian Rios cometeu esse discurso por ignorância ou por má fé, só ela, com sua consciência, pode resolver consigo mesma. E aqui uso o “má fé” em dois sentidos: tanto na tentativa de manipular a opinião pública, fazendo com que os cidadãos do estado do Rio de Janeiro pensem que não vão poder demitir criminosos se a PEC-23 for aprovada, como por sua controversa interpretação do evangelho que diz praticar.


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Percebo que existem pessoas que, ao falarem em nome de sua fé, seja ela qual for, acreditam ter o patrimônio do bem, da ética e da verdade. Às vezes, até do “amor”. Como alguém já disse, muita gente tortura os números para que eles digam aquilo que pode comprovar a sua tese. Lendo, escutando e assistindo à fala de alguns religiosos, tenho a impressão de que torturam a Bíblia para que possam seguir com a propriedade de uma verdade única – a sua. O caminho da sabedoria, porém, inclusive para os grandes teólogos da Igreja Católica, passou e passa pelo exercício da dúvida, constante e tenaz. É preciso se despir da vaidade das certezas para alcançar a dor do outro – movimento imprescindível para o amor.


LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA: Revista Época

Fora de mim





Mas isso eu não digo pra você, eu adoraria te encontrar e te dizer os piores desaforos, te chamar de tudo, berrar os palavrões mais inqualificáveis, abalar teus brios, mas não faço nada disso, agora fico em silêncio tal como você, os dois manipulando um ao outro com a quietude, apostando num desaparecimento que sempre alimenta interrogações, você tem vontade de me procurar? Quem de nós dois vai resistir mais tempo? Quando não desejo você morto, alimento a fantasia de que você seria capaz de assaltar um banco para ficar comigo outra vez. Não sei por que ainda considero importante que você me guarde na sua memória afetiva, se eu mesma já não me dou a mínima.

Martha Medeiros.