terça-feira, 15 de novembro de 2011

O CHORO QUE VEM ANTES DA RESSURREIÇÃO


Jesus chorou um pouco antes de ressuscitar a Lázaro. Parece contraditório, saber que vai tirar o amigo da morte, porém, a despeito disso, chorar...e chorar com certa indignação como sugere a palavra grega usada.

Você vê o futuro melhor, mas assim mesmo chora diante do imediato. É assim a alma dos filhos dos homens, na melhor perspectiva.

Estranho é pensar que Deus é; que Nele tudo é está acontecendo; e que ainda assim Ele sente com humores do tempo, e se emociona com a vida, e se encanta e assusta com a fé dos seres insuspeitos de religião, como o centurião e a siro-fenícia do Evangelho.

Deus se espanta e Deus chora...

Deus é, mas não é zen!

Assim, diante da tumba onde a ressurreição venceria a morte, fazendo dela apenas um sono a ser interrompido pela voz de Jesus, o choro doído teve o seu lugar.

Essa é a síntese que busco para mim como pai enlutado, em Cristo. Estar enlutado em Cristo é completamente diferente de estar enlutado sem Cristo. Você vê a eternidade; você sabe que é mergulho no entendimento pleno; que é luz eterna, que é gozo, que é amor absoluto. Você sabe o que é; você mesmo está ansioso para estar lá; porém, a despeito disso tudo, você chora ante a ressurreição.

Que conforto humano e divino eu tenho Neste que chora ante a ressurreição, que não deixa o milagre o tornar menos humano, e nem permite que a divindade lhe roube a fraqueza.

Sim, que alegria é vê-lo chorar com você, quando você mesmo já vê a ressurreição. Ele chora com você e se alegra com aquele por quem você chora.

É isso mesmo: Ele não priva você de chorar também a dor do hoje, desse imediato real. Sim, desse imediato que hoje, para mim, significa muita dor; e mesmo tentando continuar fazer tudo como sempre, e dando o meu melhor; às vezes seguindo todos os caminhos da normalidade emocional; porém, o tempo todo com aquele olhar que vê meu filho “ressuscitado” em Cristo, vivo Nele, em gozo e glória; embora não deixe de sentir também nem por um instante aquela forte e poderosamente fina e surda dor, e que hoje habita a base de meu sentir em-si...ou seja: em mim-mesmo.

“Eu vim buscar teu filho; foi por isto que Ele morreu”; seria uma forma inversa de dizer: ”Nosso amigo Lázaro morreu; mas eu vou para despertá-lo”.

Mesmo assim, Jesus chorou; e eu, que posso fazer? Posso não me derramar de chorar também?

Ah, Deus sabe que não posso; posso evitar o assunto; mas não posso deixar de levar o seu sentir...

A gente olha para o céu e vê muitas estrelas que nos iluminam com a luz de seu passado, visto que já não existem. Sua luz, porém, ainda cintila diante dos nosso olhos, embora tudo não passe de uma estrada de luz, e que está terminando, que vem se encolhendo, se enrolando, até que a última parte dela chegue como último ponto de luz...aos nossos olhos.

Nós, no entanto, fazemos poesia para o que ainda aparece, mas já não é. Em Cristo, eu faço poesia para quem aqui já não é, pois se foi...embora agora mesmo é que ele tenha se tornado...

Assim, choro pelo que já não é, apenas porque se tornou. E me alegro pelo que ele se tornou, apenas porque choro quem ele aqui já não é.

Jesus chorou antes da ressurreição.

Obrigado, Jesus!


Caio

domingo, 13 de novembro de 2011

Onde está ó morte o teu aguilhão?


Lembro-me da primeira vez que o encontrei. Lembro-me de como seus olhos encheram-se d’água em nossa primeira conversa. Seu amor e fé me comoveram, me animaram. Tinha a simplicidade de um garoto e uma convicção contagiante; um idealista ele era. Um militante do reino que seguia seu caminho revolucionando através do amor.

Como dói a perda de uma pessoa querida. Por mais que pensemos que ela está em um lugar melhor que este mundo, só de pensar que por um bom tempo não a veremos é quase que inaceitável. Lidar com a morte é estranho, difícil, foge a nós. A impotência nos desconcerta ao ponto de não sabermos o que dizer. O silêncio e o choro são tudo o que conseguimos expressar.

Sei que é por pouco tempo este afastamento, e em breve eu creio, estarei junto com Marcos e todo o resto da galera ao lado do Pai. Enquanto o dia não chega, o manterei vivo fazendo com que seus projetos não parem e tomando para mim seu exemplo de servo fiel.

A morte não é o fim, é o retorno para casa.


"Melhor é ir para a casa onde há luto que para a casa onde há banquete. Porque aí se vê aparecer o fim de todo homem e os vivos nele refletem." (Eclesiastes)



Marcos Volotão. Mais que líder, um grande amigo, um verdadeiro pai.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O inferno astral dos cristãos




Andava eu pelo quase morto, mas, ainda mui querido Orkut, quando me deparei com um debate religioso sobre possibilidade de existir um Deus justiceiro pronto para levar uns para o céu e jogar outros no inferno. Enfim, não me contive e tive que postar... Eu sinceramente não entendo essa ênfase que a maioria dos cristãos dão ao inferno. Pelo pouco que entendo, pouquíssimas vezes vi nos evangelhos Jesus dando prioridade a este assunto, antes, seus ensinos são sobre a vida baseada nos padrões do seu reino, e isso foi demonstrado por ele principalmente através do exemplo.

A questão não é que quem não crê vai queimar no inferno com o diabo e seus anjos. O objetivo principal de Jesus a meu ver, é mostrar ao homem que sem Deus, tudo o que há é uma vida sob a escuridão da ignorância, posto que, quem não reconhece ser um pecador dependente da misericórdia de Deus, vive nas trevas da sua arrogante justiça própria e na sua finita "bondade", que baseia-se na troca de "bondades" entre semelhantes.

Jesus se diz a luz do mundo porque revela aos homens o caminho da salvação. A salvação é o relacionamento com o Pai, possível somente aos que aceitam a Cristo como mediador das partes anteriormente separadas pelo pecado.

Deus não quer marionetes que o seguem apenas por medo do inferno, Deus quer amigos, que o buscam por pura vontade de manter um relacionamento sincero, sem máscaras, barganhas ou interesses materiais

terça-feira, 13 de setembro de 2011

11 de Setembro Chileno

Curta de Ken Loach sobre o 11 de Setembro de 1973 no Chile. Pouco lembrado, mas igualmente revoltante e lamentável como o popular atentado americano.




"A esperança tem duas filhas lindas: a raiva e a coragem. A raiva do estado das coisas e a coragem para mudá-lo" Santo Agostinho

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

E PARA ONDE IRÃO AS RELIGIÕES?




Assistindo às notícias do mundo [...]

Em quase todas elas a Religião está presente. Os temas vão de Israel ao Vaticano. Do Islamismo aos radicais de Direita Religiosa americanos. Bin, Sharom, Bush, Saddam, Papa...

Todos estão certos de suas certezas…

Não há soluções humanas possíveis!

No centro dos piores conflitos está a Religião!

Ora, onde há religião nunca há paz!

É verdade que as guerras habitam na carne. Mas a carne adora se expressar pela Lei. E nenhuma Lei é mais poderosa que aquela que se impõe em nome de algum “Deus”. Seja qual for o “Deus”.

O Cristianismo está no centro dessas calamidades, em companhia do Judaísmo e do Islamismo.

Trata-se do Triângulo das Bermudas onde todas as esperanças desaparecem no mundo presente.

É verdade que as Forças Econômicas também são poderosas quanto a incitar a guerra. Mas os homens de negócio dão tanto valor ao dinheiro que acabam se entendendo.

É mais fácil unir o mundo em nome do Dinheiro que em nome de um outro “Deus”.

O Dinheiro é “liberal”, negocia. A Religião, não. Por isso é que na Nova Jerusalém não há nenhum “santuário”. João procurou e não achou nenhum...

A Religião só conhece a união entre os absolutamente iguais. Os diferentes são sempre inimigos ou seres a serem conquistados para a “clonagem”.

O problema é que a Terra é habitada por seres diferentes...

Ora, para a Religião “paz” significa uniformidade...

Se sairmos do Mundo em nossa visão maior, e olharmos apenas para o Brasil, o quadro é o mesmo. O que a Religião estabelece é o partidarismo. Prova disso é que quanto mais cresce a Religião—entre elas a Evangélica—, mais aumenta o preconceito e o espírito de divisão.

Religião é Babel: torre do homem para marcar seu nome perante “os céus”. Daí só provém confusão. Linguagens que não se fazem interpretar.

Gente dos “santuários” tem até dificuldade de aceitar—embora esteja escrito—, que na Nova Jerusalém as folhas da Árvore da Vida serão para “a cura dos povos”. Menos ainda conseguem entender que as “nações trarão ações de graças ao Cordeiro” na Nova Jerusalém.

Já criaram até a categoria dos “sub-redimidos” para explicar porque esses “estranhos” terão acesso à Cidade das Doze Portas, e que permanecem abertas o tempo todo, conforme o Apocalipse.

Se dependesse de nossas mentezinhas de azeitona, alguém reescreveria os últimos capítulos do Livro da Revelação.

As portas lá estão abertas demais para o gosto da maioria de nós.

O estranho é que essa Sociedade Redimida tem uma única fonte de Luz: a do Cordeiro.

E tem gente que ainda se admira que lá João não viu “nenhum santuário”!

É claro que não pode haver essas coisinhas por lá. Se houvesse, não seria um lugar de Paz Eterna. Seria apenas a Cidade Amuralhada dos Salvos Presunçosos. Uma Nova Jerusalém Religiosa não seria Nova, seria apenas o Velho Inferno.

Nesse caso, não precisaríamos esperar para chegar lá. Bastava que todos nós nos uníssemos e mudássemos para a Jerusalém Terrestre.

Não! Nada disso! Basta ficarmos Aqui. Basta continuarmos a ser esses robôs religiosos.

O Inferno é profundamente religioso...

Diabo é Divisão!

Quem tem Religião tem o quê?

União ou divisão?

No Oriente Médio é onde superabundam as Religiões. As guerras também. E todos se dizem filhos de “Abraão”. Jesus disse que os que guerreiam em nome da genealogia religiosa são “filhos do diabo” (João 8).

Paulo disse que a Jerusalém Terrestre—essa dos jornais—é a Cidade da Escravidão. Gálatas Quatro!

Todos os seus filhos—filhos da Religião; filhos de Hagar, gerados na escravidão religiosa—, são os que dividem o mundo e a humanidade, em nome de “Deus”.

Quanto mais Religião, mais guerras haverá.

Religião deveria ser Re-ligação...

É sempre assim: usa-se o termo apenas para iludir os propósitos do coração. Nesse caso, o que prevalece é o desejo de “separação”.

Se Religião fosse algo bom, a Nova Jerusalém teria o Templo Maior.

Lá, todavia, a Vida acontecerá ao Ar Livre.

Sua Luz é o Cordeiro.

Heresia é pensar diferente.

Quem não concordar comigo, fique à vontade. Mas não diga que não é exatamente isso que a Palavra diz que será o futuro quando a Redenção Total se manifestar.

Maranata!

Vem Jesus!


Caio


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O que é o amor? Não sei muito bem, mas faço ideia..


Andava pensando em outras coisas quando me deparei com um texto de Juliana Dacoregio falando sobre amor, e pronto, cá estou eu há vários dias pensando, remoendo, refletindo sobre este bendito. Então eu me lembrei do comentário que fiz no texto: “Um coração puro, é alguém que gosta de amar profundamente, mas ainda assim possui imperfeições no ser.”

É tão engraçado essa aparente contradição. A gente faz um monte de merda. Muita besteira mesmo, a nós e aos outros. Às vezes por querer, às vezes sem querer, mas ainda assim, a maioria de nós continua sendo capaz de amar e fazer tudo pelo ser amado, inclusive se deixar em segundo plano. Quem nunca fez isso por um amigo, um affair ou por um familiar? Isso só pode ser amor minha gente!

O amor é um sentimento perfeito, puro, bom, e nós, somos seres imperfeitos e capazes das piores atitudes quando o que nos move é a ganância, mas surpreendentemente, alguns de nós não são tão insensíveis, e amam. Amam tanto que preferem estar em desconforto se o outro estiver bem. Amam tanto que caminham não apenas uma milha quando lhe é pedido, mas duas. Em certas pessoas o amor pulsa tão forte, que mesmo quando vêem seu inimigo caído, quase morto, não permitem que a indiferença se vingue, ao contrário, não sossegam até que o hostil esteja fora de perigo, aí sim, os bons samaritanos seguem seu caminho, em paz.

Descrever ou definir o amor é impossível pra mim. Acredito que ele está além da nossa compreensão e mesmo a pessoa mais amorosa da terra, não conhece a plenitude deste sentimento. A única pessoa que entendia muito bem de amor só entendia perfeitamente porque era Deus, e provou seu amor dando a vida por seu grande amor: Nós.

Se alguém quer encontrar alguma prova da existência de Deus, olhe para dentro de si mesmo. Costumo pensar que em todo ser humano há um vestígio que aponta para a existência de um Criador. Apesar dos pesares, o amor continua sendo a única coisa pura que possuímos.

Deus é amor, e quem ama sem reservas o encontrará.


“Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.” (Mateus 5:8)


A prisão da identidade


“Não estou, absolutamente, lá onde você está à minha espreita, mas aqui de onde o observo, sorrindo. Ou o quê? Você imagina que, ao escrever, eu sentiria tanta dificuldade e tanto prazer, você acredita que eu teria me obstinado em tal operação, inconsideradamente, se eu não preparasse – com a mão um tanto febril – o labirinto em que me aventurar, deslocar meu desígnio, abrir-lhe subterrâneos, soterrá-lo bem longe dele mesmo, encontrar-lhe saliências que resumam e deformem seu percurso no qual eu venha a perder-me e, finalmente, aparecer diante de quem nunca mais tivesse de reencontrar? Várias pessoas – e, sem dúvida, eu pessoalmente – escrevem por já não terem rosto. Não me perguntem quem eu sou, nem me digam para permanecer o mesmo: essa é uma moral do estado civil que serve de orientação para elaborar nosso documento de identidade. Que ela nos deixe livres no momento em que se trata de escrever”.

Michel Foucault


P.S: Roubei o título do texto da Eliane Brum



segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Falta da Falta


O sistema financeiro mundial parece ter descoberto algo que Caetano Veloso já cantava há muitos anos: alguma coisa está fora da ordem.

O Congresso chegou a um acordo temporário para evitar o calote dos EUA, mas a percepção de que “algo se quebrou” já havia se instalado.

O rebaixamento da nota de títulos americanos por uma agência de risco agravou o problema, pois os títulos dos EUA sempre foram o porto seguro para os mercados e para os Estados nacionais. Mas, antes do rebaixamento, já tínhamos quatro dias de desabamento das Bolsas mundiais.

Qual o caminho para a superação desse aparente caos?

Bem, talvez eu não seja a melhor pessoa para apontar soluções, mas parece que, nesse momento, ninguém tem uma resposta boa o suficiente.

Temos a sensação de que as soluções encontradas para a crise de 2008 só empurraram os problemas para a frente. Os trilhões de dólares despejados para salvar os bancos foram outra medida momentânea, talvez a mais fácil para se evitar uma questão politicamente muito difícil: quem vai pagar a conta. E o filme se repete.

A Europa reage fortemente à situação atual. A ajuda trilionária concedida em 2008 piorou o endividamento público, o desemprego (porque os recursos serviram mais à especulação do que ao investimento) e gerou pressão para a redução do Orçamento, no momento em que os programas sociais são mais necessários.

Nos EUA, a pressão vem do “outro lado”, de setores que têm força política e não estão dispostos a usá-la para uma mediação. Ao contrário, preferem o confronto, o impasse.

Todos ficamos assustados com o nível de radicalismo ideológico de uma parcela minoritária e significativa da sociedade americana.

Quando a maior democracia do mundo quase coloca o país numa situação de insolvência por disputas políticas irracionais, com repercussões graves para o resto mundo… alguma coisa está fora da ordem. E não é só na economia.

Muitos analistas avaliam que podemos chegar a uma situação parecida com a da crise de 1929. Pode ser pior.

Hoje, o mundo parece estar padecendo não do problema da falta de recursos para resolver a crise financeira que usurpa e sabota o futuro das economias. Como alguém já disse, nosso maior padecimento é o mal do excesso de ambição, de consumo, de poder e de pressão pelo sucesso.

Como tão bem retratou Charles Ferguson no filme “Trabalho Interno”, ganhador do Oscar de melhor documentário deste ano, o grande problema é o da “falta da falta”, sobretudo de sentido público e de vergonha por não mais se usar a ética como guia para referenciar escolhas e ações.

Se algo está realmente fora da ordem, é a falta de valores.

A crise na economia é apenas uma das consequências.


Por Marina Silva


Via Pavablog

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O Som do Silêncio


Olá escuridão, minha velha amiga. Eu vim para conversar contigo novamente, por causa de uma visão que se aproxima suavemente. Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo, e a visão que foi plantada em meu cérebro ainda permanece entre o som do silêncio. Em sonhos agitados eu caminho em ruas estreitas de paralelepípedos, sob a auréola de uma lamparina de rua. Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade, quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de neon, que rachou a noite e tocou o som do silêncio. E na luz nua eu vi, dez mil pessoas, talvez mais. Pessoas conversando sem falar. Pessoas ouvindo sem escutar. Pessoas escrevendo canções que vozes jamais compartilharam. Ninguém ousou perturbar o som do silêncio. “Tolos” digo eu, “Vocês não sabem, o silêncio como um câncer cresce. Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar. Tomem meus braços que eu posso lhes estender”. Mas minhas palavras, como silenciosas gotas de chuva caíram e ecoaram no poço do silêncio. E as pessoas prostraram-se e oraram ao Deus de neon que elas criaram. E um sinal faiscou o seu aviso nas palavras que estavam se formando. E o sinal disse: “As palavras dos profetas, estão escritas nas paredes do metrô e corredores de habitação. E sussurraram no som do silêncio”


Brooke Fraser na música The sound of silence



quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Momento introspectivo



Já sentiu como se não tivesse vivendo em totalidade? Como se faltasse algo... Uma sensação que chega até doer às vezes, de tão intensa. Por isso, a ansiedade pelo amanhã. Espero impacientemente por um futuro incerto, mas que me enche de esperança. Desejo ardentemente me livrar desse incômodo vazio que teima em existir. No fundo, aguardo dias melhores, e isso é quando estou bem. Quando estou mal, procuro uma razão, um significado ou objetivo para minha existência, e é desesperador quando tudo que tenho é silêncio... Mas, sabe que às vezes uma sensação boa de liberdade repousa sobre mim? Acho engraçado, e procuro entender o que acontece comigo. São turbilhões de sentimentos, pensamentos e expectativas. Há dúvida, mas também há reflexão. Muita reflexão, e isso tem me feito muito bem em alguns momentos, ao ponto de me fazer não desistir e ter certeza de que por ora, o melhor é prosseguir. E a vida continua, mesmo não sendo muito agradável às vezes. A dor é inevitavél, mas dar continuidade ao sofrimento é uma opção.


P.S: Infelizmente o texto não é para ser claro mesmo. No fundo é mais pra mim, eu acho...


terça-feira, 2 de agosto de 2011

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Rico




[...]

Quanto dinheiro você tem aí no bolso? Na sua carteira ou na sua bolsa? Quanto você tem aí nesse instante? Mais ou menos 1 bilhão de pessoas no mundo sobrevivem com menos de 1 dólar por dia. Especialistas dizem que para fornecer água, saneamento, saúde e comida para todos no mundo, o custo estimado é cerca de 20 bilhões de dólares, que é a quantia que os americanos gastam em um ano com sorvete. Somos tão ricos.

Talvez você tenha essa sensação: você olha ao redor e pensa que não tem isso tudo porque vê pessoas que tem muito mais, mas, é algo muito perigoso quando começamos a pensar que o nosso mundinho é o mundo. Somos bombardeados com todas essas imagens dos modelos mais recentes e dos últimos estilos, e de repente nossas coisas começam a parecer medianas, desatualizadas e insuficientes. Mas para o resto do mundo, a nossa vida é o comercial, nossas coisas são o catálogo, somos a foto do anúncio; o que é insuficiente para nós, para o resto do mundo seria muito mais que suficiente.

Então o verso em I Timóteo diz: "Mande os ricos não colocarem suas esperanças nas riquezas", e não para por aí, continua: e diz: "Ponham suas esperanças em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos". Essa frase: "O Deus que abundantemente nos dá todas as coisas". Tudo que temos é uma dádiva. Comida? É uma dádiva; Roupas? Dádiva; Teto? Dádiva; O fôlego que acabou de tomar é uma dádiva, e há alguns que dizem:"Não, não, você não está entendendo, eu trabalhei duro pelo que tenho. Eu mereço. É meu" Mas como diz no livro de Deuteronômio, capítulo 8: "E digas no teu coração: 'A minha força, e a fortaleza da minha mão, me adquiriram estas riquezas'. Antes te lembrarás do Senhor teu Deus, porque é Deus que te dá força para adquirires riqueza".

Não há nada de errado com as riquezas e posses em si, afinal Deus não condena ninguém por apenas ter posses, são dádivas de Deus, mas é que Deus nos criou para muito mais que apenas desfrutar de nossos bens. Deus dá por uma razão, então naquele versículo a ordem começa para os ricos e diz: "Não ponham suas esperanças nas riquezas, mas em Deus". E continua o mandamento dizendo:"que pratiquem o bem, enriqueçam em boas obras generosos em dar e prontos a repartir".

[...]

Que você possa ver que é rico e que suas posses são luxos que a maioria das pessoas no mundo não tem. E que você faça o que Jesus prega. Que você assuma sua responsabilidade divina de dar. E que você alcance a vida verdadeira.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

Boçalidade humana: O caso Restart e a piada do estupro


Outro dia ao entrar no twitter para a minha surpresa e desgosto, nos TTs estava a tag #pelanzadeuoc*. Tem como ser mais escroto? Tem. Na verdade, a tag estava sendo tuitada pelos gringos, que achavam que estavam participando de uma campanha de mobilização por criancinhas brasileiras que sofrem com câncer. Como isso aconteceu, ou de quem foi essa ideia “genial” eu não sei, mas sei que achei ridículo e desrespeitoso com a pessoa do Pe Lanza.

Pô, não é porque a música do cara é uma porcaria (segundo que conceito?), que eu vou sair esculachando ele por ae. Não quero aqui dar lição de moral em ninguém por que não sou dona da moral nem responsável por promovê-la, mas pra mim é impressionante como algumas pessoas conseguem ser tão boçais e desumanas. Sim, desumanas! Foi só uma piadinha para alguns, mas alguém já se perguntou o que o garoto restart sentiu ao ver que estava nos trending topics da maneira como estava? Talvez ele não tenha nem ligado, pois, mesmo que muita gente não goste de sua música, ele tem fama e dinheiro (no momento), enquanto muitos dos que estavam zoando com a tag não passam de anônimos invejosos, muitas vezes. Se ele nem se abalou ou se ficou chocado e triste eu não sei, mas fiquei imaginando como ele se sentiu... E, me perguntava como alguém por simples vontade de zoar e brincar, fala qualquer merda sem ao menos se preocupar se algum dano será gerado em quem é zoado.

Esta semana (ou semana passado, sei lá) Rafinha Bastos foi alvo de críticas por ter feito seu trabalho (como ele mesmo disse) divertindo as pessoas com piadinhas bobas e inocentes (?) sobre estupro. Se é errado o que ele fez ou se é uma tempestade num copo d’agua o que estão fazendo, não é a questão pra mim, e sim o respeito. Estamos nos tornando especialistas em banalizar coisas que deveriam ter certa importância. Será que vale mesmo a pena rir a qualquer custo? Mesmo ferindo o outro?

O mais engraçado de tudo isso, é que fazemos o mesmo que criticamos, só não há a mesma proporção e "barulho". Então por que ficamos tão indignados com o caso do Rafinha? Por que fiquei meio que revoltada com a tag do Pe Lanza se rio pacas quando alguém imita um homossexual ou faz piada de gordo ou sobre negro? Na teoria, somos todos contra o preconceito, o racismo e coisas do tipo, mas na prática isso não se evidencia. “Mas é só piada” minha mente diz, mas e se a piada fosse eu, seria engraçada ainda? Não estou dizendo que temos de ser como robôs e achar graça das coisas politicamente corretas apenas, só estou questionando o meio usado para um fim determinado: a risada a qualquer custo.

Lembro-me sempre do mandamento que nos foi deixado por um cara muito mais inteligente que nós falhos humanos: Ame o próximo como a si mesmo. Por mais que o amor seja uma tarefa difícil, pelo menos o respeito ao outro é nosso dever exercitar, pois, vivemos em sociedade, e necessitamos ter um boa convivência, para assim quem sabe chegarmos a um estágio mais evoluído, a nível intelectual.

Há tempo para tudo diz a escritura. Existem momentos que a piada se faz necessária, a vida já é tão difícil às vezes, que levá-la excessivamente a sério pode causar algum mal a saúde, no entanto, mesmo nos momentos de descontração é preciso ter limites e consciência, se não a piada fica sem graça e de mal gosto.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

O teste da caneta e o motorista gay




[...]

Quando duas pessoas públicas, com responsabilidade e ressonância de pessoas públicas, dizem o que Dom Bergonzini e a deputada Myrian Rios disseram, é preciso prestar atenção. Não é banal, não é folclórico. É sério – e tem consequências.


Primeiro, Dom Bergonzini – que, em seu blog, aparece várias vezes com o título de “o leão de Guarulhos”. Em entrevista à repórter Cristiane Agostine, do jornal Valor Econômico, publicada em 13 de junho, o bispo afirmou que há “uma ditadura gay” em curso e que uma “conspiração da Unesco transformará metade do mundo em homossexuais”. Esta forma de ver a conjuntura internacional poderia, por si só, chocar boa parte dos leitores, mas o bispo se supera no trecho da reportagem que reproduzo aqui:


“Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima… É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil”, comenta. O bispo ajeita os cabelos e o crucifixo. “Já vi muitos casos que não posso citar aqui. Tenho 52 anos de padre… Há os casos em que não é bem violência… [A mulher diz] ‘Não queria, não queria, mas aconteceu…’", diz. “Então sabe o que eu fazia?” Nesse momento, o bispo pega a tampa da caneta da repórter e mostra como conversava com mulheres. “Eu falava: bota aqui”, pedindo, em seguida, para a repórter encaixar o cilindro da caneta no orifício da tampa. O bispo começa a mexer a mão, evitando o encaixe. “Entendeu, né? Tem casos assim, do ‘ah, não queria, não queria, mas acabei deixando’”. (...) O bispo continua o raciocínio. “A mulher fala ao médico que foi violentada. Às vezes nem está grávida. Sem exame prévio, sem constatação de estupro, o aborto é liberado”, declara, ajeitando o cabelo e o crucifixo.


Sim, no teste do bispo, a vagina da mulher é uma tampa e a caneta é o pênis do estuprador. Se a mulher não quer ser violentada, basta que ela não permita que a tampa encaixe na caneta. Simples assim. É com esta humanidade que Dom Bergonzini escuta, há 52 anos, como ele faz questão de enfatizar, as católicas violadas que buscam acolhida e compaixão na sua igreja. E então passam por uma acareação através do método da tampa-vagina e da caneta-pênis.


Agora, Myrian Rios. Aliás, só descobri nesse episódio que hoje ela é deputada estadual. Até então, só a conhecia como ex-atriz e ex-mulher do cantor Roberto Carlos. A deputada do PDT apresentou-se como “missionária católica” e discursou no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em 21 de junho, sobre a PEC-23, que inclui a orientação sexual entre as características pelas quais um cidadão não poder ser discriminado. Reproduzo um trecho do seu discurso aqui, mas sugiro que o leitor ouça da própria deputada, na íntegra, em vídeo de menos de 12 minutos, postado no YouTube.


O vídeo é todo coberto por textos em amarelo, num discurso sobreposto em defesa da deputada. Pede apoio a ela e faz, inclusive, um alerta: “Cuidado com a imprensa e a mídia”. Sugiro escutar Myrian Rios, sem prestar atenção ao texto. E, em seguida, assistir ao vídeo novamente, só lendo os textos em amarelo. Ambos – o discurso e a defesa do discurso – são muito reveladores. Para alguns, pode parecer uma perda de tempo, mas vale a pena o esforço para compreender o mundo onde estamos metidos.


A seguir, uma amostra da fala de Myrian Rios no plenário da Alerj:

“Eu não sou preconceituosa e não discrimino. Eu prego o amor e o respeito ao próximo. (...) Se somos todos iguais, com os mesmos direitos, eu também tenho que ter o direito de não querer um funcionário homossexual na minha empresa. (...) Digamos que eu tenha duas meninas em casa, que eu seja mãe de duas meninas, e eu contrate uma babá. E esta babá mostre que a orientação sexual dela é ser lésbica. (...) Se minha orientação sexual não for esta, for contrária, e querer demiti-la, eu não posso. (...) O direito que a babá tem de mostrar que a orientação sexual dela é lésbica eu tenho como mãe na minha casa de não querer que ela seja babá das minhas filhas, dá licença? (...) Com esta PEC, eu não tenho esse direito. Eu vou ter de manter a babá na minha casa, cuidando das minhas meninas, e sabe Deus se ela não vai inclusive cometer a pedofilia com elas.


(...) Então, se o rapaz escolheu ser homossexual, o problema é dele. (...) Ele escolheu ser homossexual, ser travesti, aí eu o contrato para ser motorista da minha casa e eu tenho dois meninos em casa. Ele começa então a trabalhar vestido de mulher, travestido, porque é essa a orientação sexual dele. Aí eu, como mãe dois meninos, digo opa, não é essa a minha orientação sexual aqui em casa. Aqui em casa eu gostaria que meus filhos crescessem pensando em namorar uma menina para perpetuar a espécie, como está em Gênesis. Deus criou o homem e a mulher para perpetuar a espécie. (...) No momento em que eu descobri que o motorista é homossexual e poderia estar, de uma maneira ou de outra, tentando bolinar o meu filho... não sei, pode de repente partir para uma pedofilia com os meninos, eu não vou poder demiti-lo, a PEC não me permite. (...) Se essa PEC passa, e o rapaz tem uma orientação sexual pedófilo (sic), se a orientação sexual do rapaz é transar, é ter relacionamento sexual com um menino de 3 a 4 anos, nós não vamos poder fazer nada, porque ele está protegido pela lei.


(...) Eu estou defendendo as crianças e os jovens de uma porta para a pedofilia. (...) Não vou permitir que, por uma desculpa de querer proteger ou para que se acabe com a violência, a homofobia, a gente abra uma porta para a pedofilia! (...) Deus abençoe a todos, tenham uma boa tarde, que o Espírito Santo possa hoje, nesta Assembleia, cair fogo do céu aqui. Muito obrigada.”

É constrangedor fazer alguns esclarecimentos pela sua obviedade. Mas já que discursos desse nível existem – e são feitos por representantes democraticamente eleitos – é preciso dizer à deputada que: 1) homossexualismo e pedofilia não são a mesma coisa; 2) pedofilia não é uma orientação sexual, mas um crime; 3) se um funcionário da sua casa ou da sua empresa ou qualquer pessoa, em qualquer lugar, tenha a orientação sexual que tiver, cometer o crime de pedofilia, deverá ser denunciado e preso, independentemente da PEC-23, porque está previsto no Código Penal.


Se Myrian Rios cometeu esse discurso por ignorância ou por má fé, só ela, com sua consciência, pode resolver consigo mesma. E aqui uso o “má fé” em dois sentidos: tanto na tentativa de manipular a opinião pública, fazendo com que os cidadãos do estado do Rio de Janeiro pensem que não vão poder demitir criminosos se a PEC-23 for aprovada, como por sua controversa interpretação do evangelho que diz praticar.


[...]

Percebo que existem pessoas que, ao falarem em nome de sua fé, seja ela qual for, acreditam ter o patrimônio do bem, da ética e da verdade. Às vezes, até do “amor”. Como alguém já disse, muita gente tortura os números para que eles digam aquilo que pode comprovar a sua tese. Lendo, escutando e assistindo à fala de alguns religiosos, tenho a impressão de que torturam a Bíblia para que possam seguir com a propriedade de uma verdade única – a sua. O caminho da sabedoria, porém, inclusive para os grandes teólogos da Igreja Católica, passou e passa pelo exercício da dúvida, constante e tenaz. É preciso se despir da vaidade das certezas para alcançar a dor do outro – movimento imprescindível para o amor.


LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA: Revista Época

Fora de mim





Mas isso eu não digo pra você, eu adoraria te encontrar e te dizer os piores desaforos, te chamar de tudo, berrar os palavrões mais inqualificáveis, abalar teus brios, mas não faço nada disso, agora fico em silêncio tal como você, os dois manipulando um ao outro com a quietude, apostando num desaparecimento que sempre alimenta interrogações, você tem vontade de me procurar? Quem de nós dois vai resistir mais tempo? Quando não desejo você morto, alimento a fantasia de que você seria capaz de assaltar um banco para ficar comigo outra vez. Não sei por que ainda considero importante que você me guarde na sua memória afetiva, se eu mesma já não me dou a mínima.

Martha Medeiros.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Jesus, uma mulher e o machismo dos discípulos

Nossa, Jesus falando com uma mulher, e a sós? Ainda por cima samaritana? Que coisa incomum... Não duvido que um dos discípulos tenha pensado dessa forma, ou pelo menos coisa parecida. Caso contrário, por que se admiraram quando o viram com ela?

Nessa história toda, percebo um pouco de machismo (e chauvinismo, que é um nacionalismo tão exagerado que chega a ser preconceituoso) por parte deles, o que era muito comum àquela época, aliás, o pré-conceito e a segregação existem desde sempre, infelizmente. Mas o curioso, é que enquanto outros mestres consideravam o ensino a mulheres perda de tempo (os homens sempre foram mais valorizados na cultura judaica), para Jesus, não fazia diferença se era samaritana, muito menos se era mulher, mas sim que ali diante dele estava uma pessoa tão preciosa quanto os homens que o seguiam.

Ao contrário dos moralistas, Cristo não ficou escandalizado com a condição da samaritana, pois, mesmo sabendo que ela não era daquelas mulheres certinhas que pertencem a um só homem, que tinha o “currículo extenso” e que o cara do momento não era seu marido, Jesus não pensou em como ela era pecadora e também não se preocupou com o que os outros poderiam dizer se o vissem com uma possível destruidora de lares. Antes, se colocou como solução, amando-a ao ponto de oferecer-lhe a água que poderia saciar de vez sua sede, que era puramente de natureza espiritual e existencial.

Quebrar estereótipos era uma prática constante de Jesus. Sua intenção era mostrar que pessoas são mais importantes do que uma regra, um padrão de comportamento ou movimentos ideológicos. Deus não está com o machismo, o feminismo, o chauvinismo e qualquer outro “ismo” praticado pelos seres humanos. É de um amor maior que todos precisam... A anônima de samaria topou com Ele no poço, ao meio-dia...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Desmascarar-se não é uma derrota



A figueira tinha boa aparência, mas se limitava a isso. Não possuía frutos, portanto, irrelevante de certa forma, pelo menos para alguém que quisesse saciar sua fome. O episódio da figueira pode nos ensinar muitas coisas como, por exemplo, o poder da fé confiante em Deus, mas em mim, ficou a impressão de haver algo mais nessa coisa toda de “figueira bonita, porém, vazia”.

Talvez ali esteja presente aquela velha história de que beleza não põe mesa. E realmente é assim, no entanto, a maioria das pessoas parece nutrir certa admiração pelas aparências. Mesmo aquele que rejeita ideias e padrões impostos, e opta por viver conforme seus próprios conceitos, vez ou outra se surpreende com a possibilidade de ser superficial com os outros e consigo mesmo.

Ora, que graça tem viver apenas de aparências? Não seria o mesmo que viver de forma reprimida?Todos os dias ao nosso redor pessoas escolhem sufocar o desejo de ser o que são em essência, às vezes por pura vontade de se enquadrar a determinado ambiente/grupo. Por algum tempo vivi assim, e não sei se já aconteceu com todo mundo, mas acho extremamente cansativo. Além de não haver plena satisfação, os relacionamentos não possuem qualquer profundidade, pois não há uma “verdade inteira”, ou seja, um dos lados está mascarado, portanto, nesse sentido, não existe muita sinceridade por parte de quem se limita a ser o que os outros querem/esperam.

Só se sente completo quem é livre para exercer sua pessoalidade sem medo de uma possível rejeição por parte dos outros. Ser outro alguém é uma espécie de prisão! E nela há impossibilidade de ser importante para alguém, e é aí que entra a historinha da figueira. Todos nós de alguma forma temos a capacidade de produzir “frutos bons”, e através deles, nos tornamos relevantes na vida de alguém ao ponto de “saciar sua fome”. Quantas coisas boas podemos fazer a alguém pelo simples fato de existirmos em suas vidas... Mas se há algum tipo de maquiagem, e se existem apenas “folhas”, como alguém poderá ser afetado de forma positiva com a nossa presença? Como dar fruto se não existe raiz em si mesmo? É possível sendo “outra pessoa”, dar o melhor de si para os outros?

Uma das grandes propostas de Jesus foi a liberdade de sermos nós mesmos. Podemos observar isso quando por várias vezes a hipocrisia religiosa foi criticada por Ele. Além disso, sempre me pareceu bastante interessante a forma como as pessoas tidas como pecadoras e pouco dignas se portavam perante a presença Dele. Nunca as vi pouco a vontade, ao contrário, volta e meia, Jesus estava sendo convidado para um banquete, talvez por isso a fama de comilão, beberrão e amigo de pecadores...

Jesus seguia seu caminho sendo profundo, inteiro e verdadeiro. Verdadeiro com os outros e sobre tudo com Ele mesmo. Cristo entendia que essa é a vontade do Pai para todos nós, e a deixou como modelo. Optar por desmascarar-se é uma grande virtude. Mesmo que a verdadeira face não seja das mais “bonitas”, o que vale é a vontade de ser de verdade.


12 No dia seguinte, depois de saírem de Betânia teve fome,

13 e avistando de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se, porventura, acharia nela alguma coisa; e chegando a ela, nada achou senão folhas, porque não era tempo de figos.

14 E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E seus discípulos ouviram isso.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Caracteres de amor, solidão e outras impressões



por
Juliana Dacoregio


É fato que nosso mundo é carente. Temos milhares de canais para estarmos ligados full time aos amigos e ainda criarmos novas amizades, encontrarmos pessoas com interesses em comum e criarmos vínculos com elas.

Mas, por tanta possibilidade de comunicação, a solidão pode doer mais. Afinal, está tudo ali. Quem quiser falar conosco não vai deixar de fazê-lo por falta de oportunidade: direct messages no twitter, mensagens no celular, facebook, menções nas 459 mil redes sociais que participamos, um comentário naquela foto, no blog, isso sem falar nos quase defasados e-mails.

E, de repente, naquela manhã solitária você decide conferir esses inúmeros canais e… nada. Nada. Nem mesmo respostas àquilo que você enviou em busca de um contato, de um carinho, de um calor que chega através de palavras digitadas rapidamente. Você pode até não ter pedido com todas as letras: “me abrace, estou só”, mas quantas vezes não pedimos isso indiretamente? Quantas piadas no twitter não são feitas em busca de companhia, quantos temas polêmicos não são levantados apenas para obter respostas e ter a sensação de não estar só? Quantos milhões de blogs não possuem milhões de textos como este que, apesar da reflexão pseudo-antropológica, são nada mais, nada menos que gritos de socorro?

Não que eu tenha exatamente do que reclamar. Tenho lá meus muitos seguidores, sou mencionada todos os dias, possuo leitores fiéis aqui e nos outros blogs. Sou grata mesmo a web pelas pessoas que encontrei, que se tornaram grandes amigos, pela oportunidade de dar vazão aos meus sentimentos-bobeiras-desejos, pelos trabalhos que já consegui através de contatos via redes sociais, pelo emprego que tenho hoje e tanta coisa que se eu for enumerar daria uma lista bem longa.

Mas às vezes em meio a esse mar de conexões você não se sente como se estivesse em uma festa ruidosa, com muito barulho, gargalhadas, amizades eternas que duram poucas horas? Aí depois de muito twittar, muito blogar, muito gritar na websfera você volta pra “casa” sozinho. Ansiando por mais 140 caracteres de amor.

Fonte: Paperback Writer Girl

terça-feira, 14 de junho de 2011

A transformação do ser

Uma das coisas que mais gostamos é de comodismo. É própria de todos nós, a vontade de estar sempre numa posição confortável, pois odiamos as dificuldades. Priorizar nosso bem estar sobre todos e tudo, parece ser um instinto natural do ser humano, e na maioria das vezes, o egoísmo é o sentimento que motiva. Todavia, na contramão do sistema, está o evangelho de Jesus, propondo um novo estilo de vida baseado nos padrões do reino.

Também faz parte de nossa natureza, viver de maneira individualista e egocêntrica. E não sei se sou a única por aqui que pensa assim, mas acho que isso só tem nos trazido problemas... Sem contar a falta de amor que também é a origem de todos os males. Mesmo com todas essas constatações, a inclinação para a mudança não é comum; a maioria de nós se conforma a viver segundo os próprios impulsos e desejos que em essência são maus. Parece um tipo de pessimismo, mas uma rápida análise da História ou até mesmo uma análise íntima nos revelará quem realmente somos. Quem quiser trilhar o caminho inverso, tem uma longa e difícil caminhada pela frente; O caminho é apertado, mas ao mesmo tempo revela vida.

Mudar hábitos ou idéias, nem sempre é fácil, mas se faz necessário. Não se pode por “remendo novo em veste velha”. A mentalidade e os atos antigos são incompatíveis com a nova vida nos moldes do reino de Deus, por isso é preciso rejeitar comportamentos antes tidos como normais e adotar uma nova conduta diante de Deus, dos homens e de si próprio. Acomodar-se com os padrões correntes baseando a própria vida em um sistema totalmente carnal e diabólico, é ser conivente com ele. O chamado de Deus em Rm 12: 2 é à transformação do ser através do novo entendimento concedido por Jesus Cristo. No reino, a revolução começa dentro de si mesmo.

O inconformismo com as ideologias, comportamentos e padrões que nos é imposto não é suficiente se nos limitamos à teoria. Tem de haver transformação em nós e no mundo ao redor, e só poderemos mudar alguma coisa ou pelo menos ser relevante de alguma forma, se usarmos o amor para revolucionar o meio em que vivemos. Mahatma Gandhi disse e eu concordo: "O amor é a força mais sutil do mundo". Uma pessoa que se diz seguidora de Cristo e não consegue praticar o perdão e o amor, precisa urgentemente se perguntar se entendeu o evangelho.

Os seguidores de Jesus têm de literalmente segui-lo imitando-o em toda sua forma de ser. Pois, Ele mesmo amou a todos, serviu demonstrando humildade, respeitou quem não o aceitou mesmo quando seus discípulos disseram: “taca fogo aqui”, perdoou a ignorância das pessoas quando não sabiam e/ou não entendiam o que faziam e seguiu honrando o Pai vivendo para cumprir Sua vontade. Portanto, o que Deus nos diz é: Não se conforme com a antiga mentalidade que vez ou outra tenta retornar ao lugar, não se conforme com os rumos tortuosos que o mundo tem tomado. Antes, revolucione!


“E não vos conformeis com este século, mas transformais-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” RM 12:2


Texto meu pro GAE_missões urbanas



terça-feira, 31 de maio de 2011

HUMANOS




Humanos que se amam, humanos que se matam
Humanos que ajuntam, humanos que espalham
Humanos que vendem, humanos que compram
Humanos que pedem, humanos que roubam

Humanos que em amor gostam muito de falar
Mas nunca fazem nada pra o demonstrar
Humanos que pedem a paz em toda a terra
E buscam por armas e tanques de guerra

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Palavrantiga - Rookmaaker (Acústico)




Toda vez que procuro pra mim algo pra ler, ouvir, olhar e dizer,

Senhor sabe o que eu quero.

Não me furto a certeza: és a Vida que eu quero...

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Radialista evangélico dos EUA aponta nova data para fim do mundo


Camping durante gravação do programa 'Open Forum'



O radialista evangélico norte-americano cuja profecia do Dia do Juízo Final não se cumpriu no último sábado explicou com simplicidade nesta terça-feira, 24, o que deu errado: ele cometeu uma "falha de cálculo".

Em vez de o mundo terminar fisicamente no dia 21 de maio com um grande terremoto cataclísmico, como ele tinha previsto, Harold Camping, de 89 anos, disse que agora acredita que sua previsão esteja se realizando "espiritualmente" e que o apocalipse concreto vai ocorrer cinco meses após a data inicialmente prevista, ou seja, em 21 de outubro.

Camping, que tinha iniciado uma contagem regressiva para o Dia do Juízo final, levando alguns seguidores a gastarem as economias de suas vidas inteiras na expectativa de serem arrebatadas para o céu, divulgou a correção durante uma participação em seu programa de rádio "Open Forum", transmitido desde Oakland, na Califórnia.

'Sentimos muito'

A sede da rede Family Network, de Camping, que abrange 66 estações de rádio nos EUA, passou o fim de semana fechada, com uma placa sobre a porta dizendo "este escritório está fechado. Sentimos muito não termos podido receber você".

Em um discurso de 90 minutos, por vezes desconexo, que incluiu uma sessão em que ele respondeu a perguntas de repórteres, Camping disse que lamentava que o arrebatamento que ele tinha tanta certeza que aconteceria não ocorreu no sábado.

Mais tarde, refletindo sobre trechos da Bíblia, ele disse que lhe ocorrera que um "Deus misericordioso e compassivo" poupará a humanidade "do inferno sobre a Terra" por outros cinco meses, comprimindo o apocalipse físico em um período de tempo menor.

Mas ele insistiu que 21 de outubro sempre foi a data final de sua cronologia do Fim dos Tempos, ou, pelo menos, de sua cronologia mais recente.


Só pela foto já dá pra perceber que o cara é pancada...


Fonte: Estadão

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Provas do arrebatamento aparecem na internet


Contra fatos não há argumentos!











Ruas de ouro? Mar de cristal? Fica pra próxima champz ¬__¬


Via: Pavablog


domingo, 22 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Religiosos vs Homossexuais: Round One



A PL 122 anda deixando certos grupos religiosos de cabelos em pé. A polêmica está longe de acabar. Na internet, por exemplo, são diversos os sites que se dizem contra a aprovação do projeto de lei. As redes sociais também foram usadas para protestar. O Pr Silas Malafaia usou o twitter para incentivar as pessoas a protestarem contra a PL 122, mas a única coisa que conseguiu foi chegar aos trending topics sendo xingado pelos internautas. Seu próximo passo é protestar em frente o congresso nacional...


A contradição destes grupos religiosos me impressiona, pois, por que não lutam com o mesmo afinco contra a corrupção e contra a desigualdade social?


A hipocrisia cansa a minha pouca beleza. Principalmente a dos evangélicos... O fato é que eles adoram impor seus valores ao restante da sociedade. Exemplo disso são essas campanhas ridículas como as do Malafaia e cia. 1° o estado é laico, portanto a igreja não deve/pode ditar regras ao Estado; 2° Jesus nunca tentou enfiar o evangelho goela abaixo dos outros, logo o caminho para a transformação não é pela imposição de ideias e comportamentos; 3º não acho que a igreja deva se ver como uma "ferramenta moralizadora da sociedade", pois os que pertencem a igreja foram chamados para INFLUENCIAR através da pratica de seus valores e NÃO DITA-LOS às pessoas.


O homossexualismo é desobediência, por isso, pecado (mesmo sendo um dos mais dificeis de se obter libertação total, digamos assim... eu particularmente não creio em ex-gay...), no entanto falta de amor também é. Ninguém "ganha" outra pessoa forçando-a a aceitar outras ideias e padrões morais diferentes dos que ela está acostumada. O amor não dita regras, antes tudo sofre, tudo suporta, tudo crê e a todos acolhe. No final tudo se resume em amar sinceramente o semelhante sendo ele bom ou mau.


Estou cansada de ouvir: “Nós abominamos o pecado, mas amamos o pecador.” Mentira! os evangélicos abominam os pecadores e amam o pecado da hipocrisia. Sempre ouvi dizer que a palavra convence a muitos, mas, o exemplo arrasta multidões. Poderíamos praticar mais o que pregamos...


quinta-feira, 21 de abril de 2011

As bem aventuranças




MATEUS 5
1. E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos;
2. E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo:
3. Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
4. Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
5. Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
6. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
7. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
8. Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
9. Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
10. Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
11. Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
12. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.

Ser feliz dentro do contexto greco-romano era: ser culturalmente sábio; ter posses; ter influência; ter beleza física.

Os religiosos tinham muito orgulho de si mesmos e se viam como superiores aos outros. Usavam a lei como forma de exaltação pessoal e justiça própria. Subjugavam os mais humildes e menos favorecidos na sociedade.

Jesus vai contra a mentalidade de que para “ser” alguém era necessário “ter” algo.

Ética do Reino de Deus

As bem aventuranças não são um meio de salvação, elas mostram o quanto o ser humano é incapaz de cumprir a lei de Deus.

Para Jesus ser bem aventurado é estar pleno, feliz, independentemente das circunstâncias. A felicidade está em ser dependente de Deus.

Mateus 5:3 – os pobres de espírito: aqueles que têm consciência de que em si mesmos não podem coisa alguma e que por isso dependem de Deus. O pobre de espírito sabe que tudo vem de Deus. Ao contrário dos que confiam na sua própria justiça e em seus próprios méritos, sendo orgulhosos e auto-suficientes.

Versículo 4 – os que choram: são pessoas sensíveis. O que nos torna humanos é essa capacidade de sermos sensíveis diante das situações da vida, sensíveis diante das pessoas e sensíveis diante da pessoa de Deus. Os que choram não foram endurecidos pela vida. Os que choram sentem dor pelos seus pecados, estão sensíveis à voz de Deus. Por isso recebem o consolo do Espírito Santo. O pecado nos torna insensíveis em relação a Deus e também em relação ao próximo.

Versículo 5 – os humildes: o humilde não se impõe sobre os outros para obter poder. Não sente necessidade de se mostrar para obter aceitação dos outros ou para se mostrar maior. O humilde não tem medo de perder o seu lugar, por isso não é competitivo. Os orgulhosos, fortes, estão sempre disputando quem é o maior. Os humildes são felizes porque confiam no amor e no cuidado de Deus. Não vivem na corrida inquieta e desenfreada para obter coisas, são satisfeitos com o necessário, se satisfazem com a presença de Deus. Salmo 37:11. Sabem que “do Senhor é a terra e a sua plenitude…” Salmo 24:1, e sendo filhos de Deus têm a sua provisão.

Versículo 6 – os que têm fome e sede de justiça: justiça é a conformidade com o direito; é a virtude de dar a cada um aquilo que é seu. A justiça parte da existência de uma lei. Existe um padrão estabelecido por Deus. Nosso senso de justiça é muito limitado. Tratamos as pessoas por merecimento. Deus não nos trata como merecíamos ser tratados, mas com misericórdia e amor. Os que têm fome e sede de justiça sabem que em si mesmos não são justos, que seu senso de justiça é tortuoso e que precisam da graça de Deus (Romanos 3:23 e 24). É Ele quem os justifica e capacita a exercerem justiça para com o próximo. Não se conformam com esse mundo e seus conceitos, por isso se posicionam contra a injustiça e anseiam pela manifestação do reino de Deus (justiça paz e alegria no Espírito Santo – Romanos 14:17).

Versículo 7 – os misericordiosos sabem o quanto foram perdoados por Deus e por isso disponibilizam perdão. Este é fruto de uma vida no Espírito. Só conseguiremos ser misericordiosos se enxergarmos as pessoas sob a ótica de Deus. Mateus 18:23-35 Parábola do credor incompassivo.

Versículo 8 – os puros de coração – Salmo 24:3 e 4. Quem entra na presença de Deus guarda o seu coração Lucas 6:45 e Marcos 7:21. A justiça dos fariseus (religiosos) era meramente aparente, mas Jesus disse que nossa justiça precisaria exceder à justiça deles Mateus 5:20-22. Jesus deixa claro que a raiz do pecado está na concepção dele, ou seja, no coração. Daí a necessidade de se combater o pecado no coração, na sua fonte. O puro de coração é aquele que se lava no sangue de Jesus e que se alimenta dEle. I João 2:1.

Versículo 9 – os pacificadores: são agentes da paz, facilitadores da reconciliação. São chamados filhos de Deus porque se parecem com Deus. Ele desceu até nós, o verbo se fez carne para que houvesse reconciliação. Os pacificadores descem até os que precisam de reconciliação e trazem a paz. “Ide e pregai” apresentar Jesus aos perdidos é anunciar a paz. Efésios 2:14-18: Jesus é a nossa paz.

Versículos 10 e 11 – perseguidos por causa da justiça: insultados, perseguidos e caluniados por causa de Jesus. Os que promovem a paz (puros, humildes, mansos…) normalmente são perseguidos pelos “fortes” deste mundo. O mundo não está em concordância com o jeito de viver do discípulo de Jesus. Existirá conflito entre nosso modo de viver com o modo do mundo. Os perseguidos por amor a Cristo são herdeiros do reino dos céus, e lá terão recompensa. Estão em concordância com os profetas que foram também perseguidos por causa da palavra de Deus. Quando a igreja (os discípulos de Jesus) começar a viver de acordo com os padrões do Espírito e a brilhar a luz de Cristo haverá perseguição

Nívea Soares

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O amor pode salvar outros Welingtons




O caso da escola de Realengo mexeu com muita gente, acho que com todos os brasileiros inclusive. Todos tentam imaginar uma explicação plausível para tal acontecimento. O que levaria um ser humano a matar crianças inocentes? Já é inadimissível tirar a vida de outro homem, quanto mais de uma criança indefesa...

Tentei imaginar o que Jesus diria sobre o caso ou sei la, faria se tivesse aqui... Não sei o que diria, talvez nem dissesse nada, não teria tempo pra isso. Em todo seu ministério passava mais tempo se ocupando em viver o que pregava do que o contrário. A maioria de nós se lamenta do que podia ou não ter feito. Só sabemos falar, falar e falar, mas pouco fazemos.

Uma vez ouvi que só o amor pode vencer o mal. E é isso mesmo, o mundo só vai sofrer uma real mudança quando começarmos a amar realmente. A maioria de nós só está se importando até certo ponto. O amor requer profundidade nos relacionamentos do dia-a-dia, seja com um familiar ou com o mendigo da esquina. As pessoas querem se sentir queridas, amadas, mas na maioria das vezes o que recebem é indiferença, e o produto dessa indiferença são os welingtons da vida, os trombadinhas da Lapa e outros individuos que passaram a vida toda se sentindo indesejados. Não que exista desculpa para o mal causado por certos seres humanos, mas a falta de amor e cuidado, talvez seja o ponto de partida em algumas vidas... A igreja pode e deve fazer a diferença nesse caso, pois a ela foi dada a função de pregar e viver o amor, e amar é se importar.

Ação social sem envolvimento, relacionamento e amor profundo não passa de mera politicagem, e infelizmente é o que mais acontece no meio do povo dito de Deus. Tentarei ser a mudança que prego.

sábado, 19 de março de 2011

Tudo que Buda queria era Jesus

Buda disse que viver é sofrer; e que o sofrimento é fruto do desejo; e, desse modo, a vitória sobre o sofrimento seria a mortificação do “eu” pela via do desapego a todas as coisas; a tal ponto que o total desapego colocaria a pessoa no estado de iluminação que o Buda alcançou; entrando-se, desse modo, no Nirvana — estado no qual todos os desejos já deram lugar a aceitação, e o ego se dissolveu no todo universal; continuando existente no todo, porém sem consciência de si e sem qualquer pessoalidade.

Ou seja: tem-se que dissolver a consciência de si mesmo no todo universal a fim de se ter uma paz que não sabe de si.

Ora, apesar disso, tem-se que admitir que Buda afirmou algumas coisas semelhantes ao que Jesus ensinou. Mas há grandes diferenças.

Em Jesus o “eu” a ser posto na cruz é o “si-mesmo”, que tem que dar lugar a um eu rendido ao amor. Tomar a própria cruz e seguir a Jesus, não é, todavia, um exercício de desistência do eu, mas sim de sua falsificação, que é o “si-mesmo”. Isto porque para negar a si mesmo, tomar a cruz e segui-Lo —, há uma grande demanda, não de desistência do eu, mas de fortalecimento dele em seu estado mais essencial; pois, somente quando o “si-mesmo” é crucificado é que o eu começa a sua própria jornada sobre a realidade; e não mais sob os auspícios dos desejos ilusórios.

Assim, Jesus diz que no mundo se tem muitas aflições. Não diz que viver é sofrer, mas afirma que se tem muita da dor na existência. Seu ensino, todavia, não nos convida para um esforço contra os desejos e paixões que só podem ser vencidos se a pessoa morrer junto e por inteiro em sua pessoalidade.

Por isto, ao invés de ensinar a negação como evasão da vida, Jesus ensina o “bom ânimo” como inserção na vida!
Sim, ao invés de lutar contra os desejos, Jesus ensina que no mundo há aflições, frustrações, injustiças, iniqüidades, e dor; mas combate tudo isto com “bom ânimo”.

Afinal, chega um ponto em que depois de todas as paixões e desejos, a própria existência trata de fazer de quase todo homem um budista sem nem ao menos a evasão para o Nirvana. Por isto, pode-se dizer que depois do Encontro com a Existência, o maior desejo passa a ser de morte; ainda que a maioria não saiba. Daí, sem esperar que a vida esmague ninguém, porém afirmando que as dores são inevitáveis, Jesus manda ter “bom ânimo”; pois, de fato, é o bom ânimo o poder que combate o desejo mais essencial que habita os humanos, que é a pulsão de morte e de suicídio maquiado.

Jesus nunca jejuou para matar nada. Seu jejum era para ficar só e concentrar todo o Seu foco humano na tarefa que historicamente começava. Entretanto, Nele não há angustia de ser, como havia em Buda. As angustias de Jesus não são conflitos existenciais, mas reações naturais e humanas frente à dor real e infligida como tortura e morte. Mas não há nenhuma outra angustia Nele. Porque Jesus não “deseja” nada, nunca teve qualquer dos conflitos de Buda.
Sim, Buda tem que lutar para se iluminar. Jesus é a Luz. Buda tem um si-mesmo em conflito com seu eu. Jesus é ego-amor. Buda tem que experimentar roteiros e buscar o mais sábio, segundo sua percepção. Jesus é o Caminho. Buda se ausenta da vida e medita. Jesus fica em silencia público trinta anos, medita, e entra na vida em sua
plenitude, e com todos. O Buda não chora. Jesus chora. O Buda não ri. Jesus gargalha. O Buda não bebe. Jesus é acusado de ser bebedor de vinho. O Buda se recolhe em reclusão permanente. Jesus manda que jamais se faça assim.

O Buda diz: “Meu ensino é como uma balsa para atravessar um rio. Seria loucura, depois da travessia, levar a barca por aí”. Jesus, todavia, não se diz uma balsa para um tempo de travessia, mas diz ser o Caminho onde quer que haja Vida a ser experimentada; seja na travessia; seja em terra firme ou não; seja para aqui, seja para além; seja para a vida, seja para a morte; seja em tempos de angustia ou de paz — Jesus não é temporário.

Além disso, é a naturalidade de Jesus e Seu senso de propriedade e bom senso, aquilo que nos mostrar o que significa estar no mundo, vive-lo sem medo, e, ao mesmo tempo, não ser do mundo; porém sem nenhuma evasão.
O Buda não venceu o mundo, mas apenas encontrou uma porta de alienação, que antes de tudo é uma Psicologia do Impessoal. Jesus venceu o mundo, pois, nele amou a todos; e se deu por todos; e, antes de morrer por amor, viveu entre os homens, em suas casas, com suas dores, curando-lhes os males, sorrindo com suas alegrias, defendendo-os de inimigos perversos, expulsando demônios e devolvendo as pessoas à família e à vida.
Buda diz Não-Eu! Jesus diz: Eu Sou!

O caminho da consciência em Buda leva ao mergulho na Inconsciência. O caminho da consciência em Jesus leva a conhecer a Deus como somos por Ele conhecidos.

Assim, Buda é um homem querendo paz no Nirvana. Jesus é Deus chamando os homens a Si mesmo; pois, em Jesus, o convite não é para o nirvana-céu, mas para a experiência eterna e crescente na consciência em Deus.
Buda queria o caminho da paz e da harmonia, para si e para os outros. Jesus é a Paz. E ele é o Caminho.
Assim, como uma criança, digo: Tudo o que Buda desejaria de melhor significaria, na História, ter conhecido a Jesus!

Nele, a Quem todos buscam, mesmo quando não sabem

Caio Fabio